terça-feira, 13 de maio de 2014



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13/05/14 10:45



ENTREVISTA
Voando com asas digitais

Divulgação: Letícia Godoy 


"Magazine" entrevista a dançarina, coreógrafa e pesquisadora Thembi Rosa
PUBLICADO EM 04/05/14 - 03h00 Daniel Oliveira
Atualmente explorando os limites do movimento na obra “Escadaadentro”, no File, e no projeto “Parquear” com o coletivo Dança Multiplex, Thembi Rosa não pode mais ser considerada apenas uma bailarina. Mestre em dança pela UFBA, a artista fala abaixo sobre a necessidade de dialogar com outras linguagens e a relação entre dança e tecnologia em seu trabalho.
Como nasceu o projeto do “Escadaadentro”?
Desde 2011 que eu comecei a entrar mais a fundo no meio das artes digitais. O “Escada” foi um projeto que fiz na sala Maristela Tristão em 2012, como parte da minha pesquisa “Parâmetros em Movimento”, viabilizada pelo Cena Minas. A ideia era ocupar todos os espaços da galeria, e tinha essa escada da saída de emergência. A obra surgiu como um site specific para ocupar aquela escada, que
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nunca foi usada exatamente porque é de emergência. Mas com a projeção, seria viável porque não impede a saída. A diretora da sala deixou que a gente ficasse uma semana: eu pensando em como adaptaria minha movimentação contínua no chão, práticas de aquecimento de dança quase, para encaixar na ideia da escada, e o Lucas Sander, que convidei para trabalhar a projeção e dar o efeito de estar saindo da parede.
A obra que está exposta no File sofreu algumas alterações. Como foi negociar essas mudanças com a organização do festival?
Eles comentaram a vontade de fazer uma escada extensa, móvel, e eu fiquei apreensiva a princípio porque já havia mandado o projeto para vários lugares, sempre na ideia de site specific. E reconstruir o vídeo adaptando em outra escada foi muito rápido. Mas eles fizeram na mesma medida, mantendo a proporção do tamanho do corpo com o tamanho da escada, o que foi importante. E vira um outro trabalho, ganha a independência interessante de uma escultura, uma superfície de projeção que pode ser levada para qualquer lugar. Gostei do resultado, mas ao mesmo tempo, ainda fica uma inquietação. Mas o legal é como ela se integra na exposição com as obras da Rejane Cantoni e da Karina Smigla- Bobinski, que também trabalham o corpo.
O projeto mistura dança com vídeo, assim como seus outros trabalhos que sempre dialogam com linguagens diferentes. Qual a importância dessa mistura no seu processo criativo?
Isso vem da minha formação. O primeiro grupo de que participei, entre 1993 e 1996, foi o Oficcina Multimédia, praticamente minha escola. E é mais por uma inquietação de não me satisfazer só com a dança também. De realmente ter essa necessidade de dialogar com as outras áreas e de me identificar com os artistas que eu tenho como referência e têm essa característica mais interdisciplinar. Depois do Multimédia, o primeiro trabalho que fiz com a Adriana Banana, do FID, também envolvia Super-8. Na mesma época, eu tinha ido para a Bélgica fazer uma audição para entrar na Escola Rosas, que tem essa característica de trabalhar com um mix de linguagens: música, cinema, filosofia. Sempre tive esse interesse e fui encontrando parceiros ao longo da vida que viabilizavam os projetos. Para mim, a dança nunca esteve dissociada dessas outras mídias.
Tecnologia, softwares e novas linguagens também têm sido marcas presentes no seu trabalho. Como é sua relação com essas interfaces?
Eu, na verdade, não sei programar nada. Só consigo fazer isso com o Manuel Guerra, que é quem tem feito os softwares desses trabalhos. Ele tem um jeito de desmistificar isso um pouco para mim, fala como se fosse receita de bolo. E as possibilidades que essas tecnologias abrem são viciantes. Uma vez que você começa, não dá para mexer só um pouquinho. Eu trabalho mais com improvisação, e a gente vai criando esse jogo em que a tecnologia afeta a movimentação, que afeta o software. A coisa não fica estagnada. Meu principal interesse em trabalhar com dança e tecnologia é criar uma série de restrições da movimentação, no diálogo com a interface. Tem que seguir uma série de parâmetros. Isso me permite acessar o movimento de outro jeito porque, quando você cria uma restrição, ela te permite avançar e propor coisas novas. Uma coisa totalmente aberta tende a se perder, ficar muito à deriva. Quando se descobre a conexão entre a tecnologia, a linguagem musical e a coreografia, esse diálogo se intensifica e vai mudando certos padrões do movimento e da música que estão muito estabelecidos. É a ideia de não ficar numa zona de conforto, de ir a esse lugar do risco e do erro sempre. E cria uma tensão porque computador dá bode o tempo inteiro. Como você lida com essa frustração também cria vida, faz parecer outra coisa.
Você também está apresentando o projeto “Parquear” com o coletivo Dança Multiplex.
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Existe algum paralelo na pesquisa e nas investigações dos dois trabalhos?
Eles são bem diferentes. O “Parquear” é uma proposta da Margô Assis. Ela mora do lado do Parque das Mangabeiras e dava aula de alongamento, essas coisas, lá. Tem uma escola para crianças ali dentro, onde a gente começou a se encontrar todo fim de semana, desde 2011. A proposta era tentar fugir do espaço trancafiado da sala de ensaio e ver o que dava para desenvolver nesses novos lugares. Perceber o que essa mudança provocaria na gente e como ocupar esses espaços lindos na cidade e que muitas vezes a gente não usufrui.
Os dois coincidem em levar a dança para fora do espaço do palco. Isso é inevitável para evoluir e expandir suas possibilidades?
Desde 2008, tenho tido esse desejo de sair do teatro e dialogar com um público mais diversificado. Minha orientadora do mestrado na UFBA, Fabiana Britto, trabalha com a ideia de corpografias. Existe uma garantia de levar uma obra para a caixa preta. Por mais que cada teatro seja de um jeito, o grau de variação a partir do momento em que se propõe a colocar o trabalho em outro lugar é muito maior. O risco aumenta e a obra se modifica completamente. Você encontra novas possibilidades no diálogo com o que esses espaços te propõem. Tem horas que é super desafiador, às vezes estressante, mas em geral tem surpresas muito lindas. O “Parquear” é isso. Apresentamos no Itacaré, na Praça da Liberdade, e o projeto começa a fazer parte daquele lugar. Mas isso, na verdade, é muito do foco e do interesse de cada criador e cada artista. Admiro muito quem vai a fundo numa investigação coreográfica mais rica. É a história e a linha de cada um que ativa isso.
Você já atua como coreógrafa e bailarina há 20 anos. Como você avalia a evolução da dança em BH nesse período e como ela se encontra hoje?
Ainda não existe uma política cultural para a dança, nem para as artes em geral. O patrocínio e as leis são cada vez mais difíceis de captar para projetos independentes e de pesquisa. Com isso, a capacidade artística fica no limbo e na pura insistência de quem continua. Não há nada que garanta uma continuidade mínima dos projetos. Grupos como o Cena 11, com 20 anos de pesquisa, cai o patrocínio da Petrobras e acabou. Em comparação, por mais que a Europa esteja em crise, existem centros coreográficos e as coisas não morrem lá.
E quais os próximos projetos?
Existe uma proposta de instalação dentro do “Parâmetros em Movimento” no Sesc-São Paulo. Vamos apresentar o “Parquear” em Inhotim, em julho. E eu tenho um projeto da lei estadual, que é uma residência em arte e tecnologia. A ideia é trazer seis pessoas de várias partes do mundo que trabalham com isso. Cada um deles desenvolveria novos trabalhos em residências mensais e em projetos colaborativos com artistas de fora. No fim, haveria uma mostra dos projetos desenvolvidos e uma publicação. Mas ainda estou à procura de um mecenas. E estou com vontade de fazer doutorado, pensar essas interfaces dentro da tecnologia.


domingo, 2 de junho de 2013

Perceptrum no Rumos Dança


rumos dança 

13 de junho de 2013 

/APRESENTAÇÃO: THEMBI ROSA (PERCEPTRUM)

Quinta-Feira - 20h00
Perceptrum (MG)
Perceptrum (2013) rede de interações entre danças, software, som e imagem. Peças sonoras coreográficas em diálogo com interfaces digitais, um sexteto que se afina na qualidade da escuta, nos desenhos espaço-temporais, e na improvisação mediada pelo desenvolvimento de softwares. Perceber as relações entre sons, movimentos e imagens geradas em tempo real, que se constituem e se afetam mutuamente. Perceptrum é um desdobramento da instalação Parâmetros em Movimento (2012).
Sala Itaú Cultural 85 lugares
duração: 45 min
[indicado para todas as idades] L
Concepção e criação Thembi Rosa e Dorothé Depeauw (dançarinas e coreógrafas), Manuel Guerra (desenvolvimento de software e imagens), O Grivo (composição sonora) e Lucas Sander (vídeos) Apoio Marginália Lab e Marcenaria 
Fotos: Cecília Pederzoli 


http://novo.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/?id=68810